Estado libera leitos em hospital de SP para pacientes de Valinhos

A Secretaria da Saúde de Valinhos discute com o Governo do Estado a utilização de leitos do Hospital de Campanha do Ibirapuera, na Capital, para atendimento de pacientes de casos mais graves de covid-19. A medida é mais uma ação da Prefeitura para atender a crescente demanda por atendimento de casos da doença na cidade.

O Governador João Doria anunciou nesta quarta-feira (8) que, com a diminuição da propagação do coronavírus na capital e o aumento de casos no interior, o Hospital de Campanha do Ibirapuera será referenciado a partir de hoje para atender pacientes com COVID-19 da região de Campinas, preferencialmente, e de outras regiões do estado de São Paulo, se necessário. 

"A ação permite o atendimento correto e efetivo, sem o aumento de custos. Não há necessidade de montar um hospital de campanha em Campinas, por exemplo, se temos um hospital de campanha aqui operando em boas condições. É mais barato e eficiente providenciar o transporte por ambulâncias com UTI", disse Doria. 

Valinhos tem 37 mortes e 867 casos confirmados da doença. A taxa de ocupação dos leitos chegou a 87% na cidade nesta quarta-feira, sendo que na Santa Casa, que á a referêncioa para atendimento pelo SUS, dos 32 leitos disponíveis, apenas 1 está livre.

Desde o começo de junho, a curva de casos em Valinhos tem crescido de forma preocupante, o que fez a cidade fechar comércio e serviços não essenciais antes mesmo de uma decisão do Governo do Estado nesse sentido, tomada apenas na semana passada.

Na última semana, pela primeira vez desde o início da pandemia, Valinhos teve que enviar pacientes para outro município por falta de vagas em UTIs na cidade. Duas pessoas foram para tratamento em hospitais em Campinas.

"Essa ajuda vinda do Estado é importante para nos garantir leitos em caso de necessidade. Hoje temos apenas mais um disponível na UTI da Santa Casa, e isso preocupa. Ainda não recebemos formalmente informações de como essa ocupação dos leitos na Capital será feita, mas com certeza é uma ação bem-vinda, já que não temos mais como ampliar a quantidade de leitos na Santa Casa para pacientes do SUS", disse Cláudia Maria dos Santos, diretora da Vigilância em Saúde da Prefeitura. Segundo ela, os leitos foram triplicados na cidade desde o início da pandemia.

O hospital do Ibirapuera

O hospital de campanha, inaugurado em 1º de maio no Complexo Esportivo do Ibirapuera, dispõe de 240 leitos de enfermaria e 28 de UTI, além de sala de descompressão, consultórios médicos e tomografia. 

A unidade é referenciada e recebe pacientes encaminhados por outros serviços, com apoio da Cross (Central de Regulação e Oferta de Serviços de Saúde). Na manhã desta quarta-feira, 146 pacientes estavam internados. Desde a inauguração, até agora, 1.667 pacientes foram atendidos e 1.191 receberam alta. Houve nove óbitos na unidade.
 
"O hospital de campanha do Ibirapuera tem cerca de 55% de ocupação hoje. O custo de mais de R$ 10 milhões investidos por mês na unidade será direcionado para o interior do estado e a região de Campinas terá desafogada sua capacidade hospitalar, que já supera 80%", afirmou o Secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi. 

O serviço possui todo o aparato tecnológico para garantir atendimento com qualidade e humanização, além da prevenção a contaminações. Equipes de saúde e pacientes possuem acesso à internet wi-fi para manter contato com familiares, já que visitas e presença de acompanhantes serão restritas. Os boletins médicos são enviados por videochamadas, além de um canal por WhatsApp para contato diário.

Os internados têm suporte de uma equipe multiprofissional e atividades focadas no bem-estar emocional, como biblioteca itinerante, mandalas para colorir e outras atividades culturais. Há sistema de ar-condicionado que assegura climatização adequada e troca de ar constante, atendendo às normas sanitárias e de segurança.

Além da possibilidade de encaminhamento de pacientes ao hospital do Ibirapuera, moradores da região de Campinas contam também 662 novos leitos de UTI criados em serviços de referência regionalizada, com foco no enfrentamento à pandemia. Também foram enviados 174 respiradores a unidades municipais, estaduais e filantrópicas localizadas na área do DRS (Departamento Regional de Saúde).

No estado de São Paulo, o número de leitos de UTI mais do que dobrou - passou de 3,6 mil para 8,1 mil, que contaram com mais de 2,4 mil novos respiradores destinados a serviços do SUS de SP.

08/07/2020