A presença da espécie invasora leucena (Leucaena leucocephala) passou a ser foco de atenção de autoridades públicas e especialistas devido aos impactos ambientais causados pela planta, que dificulta a regeneração natural da vegetação e contribui para a perda de biodiversidade. O tema foi debatido em encontros recentes envolvendo representantes do Consórcio PCJ (Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí) e técnicos da Prefeitura de Valinhos.
O assunto esteve em pauta na reunião plenária das Bacias do Consórcio PCJ, realizada em Santa Bárbara d’Oeste, e também em um encontro técnico promovido em Valinhos pela Secretaria do Verde e da Agricultura.
O presidente do DAEV S.A. e vice-prefeito de Valinhos, Luiz Mayr Neto, participou da reunião com representantes do Consórcio PCJ, que discutiu temas relacionados à segurança hídrica e ao enfrentamento de eventos climáticos extremos, com a presença da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e da Agência SP Águas.
Durante o encontro, um dos pontos abordados foi o avanço da leucena nas áreas urbanas e rurais da região.
“Esta espécie exótica invasora ameaça a biodiversidade, atingindo tanto as bacias PCJ quanto áreas rurais e urbanas de Valinhos. É preciso um plano de manejo, respeitando o regramento jurídico, para sua eliminação gradual e substituição por mudas nativas”, destacou o vice-prefeito.
O Consórcio PCJ já investe há anos em estudos sobre o controle da espécie e incentiva os municípios a adotarem estratégias de manejo adequadas. Segundo especialistas, o simples corte da planta não é suficiente para seu controle, sendo necessário um manejo mais rigoroso aliado à substituição por espécies nativas.
Em Valinhos, o Departamento de Meio Ambiente da Secretaria do Verde e da Agricultura promoveu um encontro técnico com o engenheiro agrônomo e doutor Marcelo Machado Leão, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP). O objetivo foi promover a troca de experiências e avançar no planejamento de ações para combater a espécie invasora no município.
“Essa árvore de porte médio pode ser encontrada tanto na área urbana quanto na zona rural de Valinhos. É necessário um planejamento estruturado para combater a expansão da espécie, que vem prejudicando nossas áreas naturais”, explicou o secretário do Verde e da Agricultura, André Reis.
Durante o encontro, o especialista apresentou informações sobre a leucena, incluindo dados históricos e características fisiológicas da espécie, além de técnicas de controle adotadas em outras cidades.
Segundo o diretor de Meio Ambiente, Theophilo Olyntho de Arruda Neto, o Dudu, o especialista destacou a importância de um planejamento estratégico para enfrentar o problema.
“Foi ressaltada a necessidade de construir um plano de combate às espécies exóticas invasoras que envolva diferentes frentes, como legislação, mapeamento e classificação das áreas infestadas”, explicou.
De acordo com o diretor, as ações também devem contar com a participação da sociedade civil e com parcerias entre instituições públicas e privadas para viabilizar o financiamento das iniciativas necessárias.
Base legal
A elaboração de um plano de manejo para a leucena já está prevista na legislação municipal. A Lei nº 5.465, de 20 de junho de 2017, institui o Programa Municipal de Controle de Espécies Exóticas Invasoras Vegetais por Plano de Manejo e estabelece a lista de espécies consideradas invasoras no município.
O artigo 5º da legislação autoriza a remoção dessas espécies em propriedades públicas e particulares e proíbe o plantio dessas plantas.
Originária do México e da América Central, a leucena é uma leguminosa de rápido crescimento introduzida em diversas regiões tropicais do mundo, incluindo o Brasil na década de 1940. Atualmente, é considerada uma das 100 piores espécies invasoras, por ocupar áreas naturais e dificultar o desenvolvimento da vegetação nativa.
Além da leucena, também são consideradas espécies exóticas invasoras a acácia-negra (Acacia mearnsii), o alfeneiro (Ligustrum japonicum, Ligustrum lucidum e Ligustrum vulgare), a figueira (Ficus benjamina) e a palmeira seafórtia (Archontophoenix cunninghamiana).









