A cidade de Valinhos vive um momento de expansão na fruticultura. De acordo com os dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEx), do Governo Federal, as exportações do município saltaram 24,62% em 2025. Ao todo, o setor movimentou US$ 12,3 milhões no último ano. Esse valor corresponde a R$ 64,3 milhões, considerando a cotação atual de R$ 5,22 (confira tabela mês a mês ao final da matéria).
O volume total exportado atingiu a marca de 5,2 mil toneladas de frutos. Em 2024, para efeito de comparação, a cidade exportou 4 mil toneladas. Os números foram extraídos da SECEX pela Prefeitura, por meio da Secretaria do Verde e da Agricultura. Para o secretário André Reis, os números demonstram que a fruticultura local trilha um caminho de sucesso. Segundo ele, os produtores entenderam que o mercado externo deve ser conquistado.
Destaques da safra
A Secretaria do Verde e da Agricultura realizou um pente-fino no sistema da Balança Comercial da SECEX. Foram analisados especificamente os códigos 0804 para frutas como figos e goiabas e o 0810 para frutas frescas. O levantamento mostra que 46,4% dos embarques de 2025 ocorrem entre dezembro e abril. Além disso, dezembro registrou o melhor faturamento mensal para os exportadores locais.
Entretanto, o mês de outubro liderou em volume físico enviado ao exterior. Foram 928.379 quilos exportados, que geraram uma receita de US$ 1,09 milhão. André Reis ressalta que essa mudança exigiu uma nova mentalidade do produtor rural de Valinhos. Atualmente, o setor adota boas práticas de cultivo e segue rígidas normas fitossanitárias e de resíduos.
Mercado premium
O foco das empresas locais está em nichos de alto valor agregado. Exportadores como a Campal Frutas e HVM Exports atendem mercados exigentes. “Basta entendermos que 35% da nossa safra de figos tem destino certo, o exterior”, afirma o Secretário. Para ele, exportar leva os produtores a olhar além do mercado interno.
As frutas valinhenses seguem majoritariamente para a Europa e Oriente Médio. Países como Holanda, Alemanha e França pagam melhor pela qualidade e frescor. Embora Valinhos exporte mangas, o protagonismo continua com o figo e a goiaba.
O modelo de exportação atual é fruto de propriedades familiares tradicionais. Famílias como Fabiano, Lacarini e Teatim investiram em estratégia e conhecimento das regras aduaneiras globais. “Essa visão mais estratégica garante preços competitivos, margens maiores e estabilidade financeira ao agricultor da região”, destacou o secretário.
Consumo interno
Apesar do sucesso externo, o mercado interno permanece vital para a economia. Os produtores rurais comercializam grandes volumes durante as festas tradicionais da cidade. Somente na 75ª Festa do Figo e 30ª Expogoiaba, que foi realizada entre 16 de janeiro e 1º de fevereiro, as vendas superaram 100 toneladas.
Contudo, André Reis reforça que o mercado interno ainda precisa ser mais explorado pelos produtores locais. Para a Secretaria, o equilíbrio entre o comércio doméstico e a exportação é a saída para o fortalecimento da fruticultura local e para que ela resgate o protagonismo histórico no Estado de São Paulo.










