A rede municipal de ensino de Valinhos celebra uma conquista histórica na 3ª edição do Prêmio Educador Transformador, promovido pelo Sebrae em parceria com a Bett Brasil e o Instituto Significare. Dois professores da cidade foram premiados na etapa estadual: Vanderlita Gomes Bezerra Marquetti conquistou o 2º lugar na categoria Inclusão e Sustentabilidade na Educação, com projeto desenvolvido na EMEB Tomoharu Kimbara, no bairro Macuco, enquanto Cesar Augusto Gomes foi o 1º lugar na categoria Inovação Pedagógica e Metodologias Ativas, com trabalho realizado na EMEB Luiz Antoniazzi, no bairro Santo Antônio.
"Esses resultados são a prova viva de que a educação pública de Valinhos está no caminho certo. Nossos professores vão além da sala de aula: eles escutam, inovam e transformam realidades. A conquista no Prêmio Educador Transformador não é apenas individual – é de toda a rede, que valoriza e apoia iniciativas como essas", comemorou o secretário municipal de Educação, André Amaral.
Inclusão e sustentabilidade no campo: o projeto da EMEB Tomoharu Kimbara
Desenvolvido com alunos do 4º ano do Ensino Fundamental na comunidade rural do Macuco, o projeto "Entre figos, folhas e poesia nasce a ecologia", da professora Vanderlita, partiu da observação de desafios ambientais locais, como a falta de conscientização sobre descarte de resíduos e a prática de queimadas. "Percebi que muitas crianças cresciam próximas à terra, mas não se reconheciam como protagonistas na preservação desse espaço", relata a educadora, que há oito anos atua na rede municipal.
O percurso do projeto foi estruturado em três etapas:
Imersão: Rodas de escuta com os alunos revelaram que o problema era de desinformação. A professora trouxe para a sala de aula fotografias de coletores de reciclagem – incluindo o pai de um estudante – e promoveu troca de cartas com a Escola Curumim, de Campinas, que culminou em um encontro para estudo do meio em um sítio da região.
Ideação: Foi criado o "Caminho de Cidadania Ambiental", unindo arte, tecnologia e saberes locais. Inspirados no artista Vik Muniz, os alunos transformaram tampinhas plásticas em painéis da fauna regional e produziram vídeos em stop motion sobre o lixo, retratando-se como "Guardiões do Planeta".
Prototipação: Durante a Semana Literária da escola, uma pequena mostra apresentou os resultados à comunidade.
O projeto conquistou o 2º lugar na etapa estadual, garantindo à professora o Certificado Oficial e o Selo Digital de reconhecimento. "O maior prêmio, no entanto, já estamos construindo aqui", afirma a professora. A culminância do projeto será a entrega de um "Relatório Cidadão", redigido pelas próprias crianças, à Prefeitura Municipal, solicitando a inclusão oficial do bairro Macuco no cronograma de coleta seletiva.
Metodologias ativas no combate às microagressões: o projeto da EMEB Luiz Antoniazzi
O professor Cesar Augusto Gomes, que há 20 anos leciona Língua Portuguesa na rede municipal, desenvolveu o projeto "Não é só brincadeira: microagressões em foco" com estudantes do 9º ano em 2025. A iniciativa nasceu durante uma atividade sobre o Dia Internacional da Mulher, quando alunas relataram incômodo com "brincadeiras" recorrentes feitas por colegas, como "vai lavar louça" ou perguntas sobre "TPM" quando reagiam a comentários ofensivos.
"Com apenas 13 ou 14 anos, esses estudantes já reproduziam expressões usadas por adultos para desqualificar mulheres, naturalizando violência simbólica e silenciamento", explica o professor.
Utilizando a metodologia do Design Thinking, o projeto percorreu as seguintes etapas:
Imersão: Rodas de conversa permitiram compreender a situação-problema e escutar, de forma qualificada, o que meninas e meninos tinham a dizer sobre as microagressões no cotidiano escolar.
Ideação: Estudantes e professores do Ensino Fundamental II participaram de um processo coletivo de geração de soluções, que resultou em 73 contribuições. Entre as propostas, destacou-se a criação de um canal de escuta anônima e segura.
Prototipação: Com apoio da gestão escolar, foi instalada uma caixa de papelão no banheiro feminino durante uma semana, permitindo que as meninas registrassem relatos sem medo de represálias.
Desenvolvimento: A leitura, categorização e sistematização dos relatos possibilitou mapear padrões de violência e orientar intervenções pedagógicas mais efetivas.
Em apenas uma semana, a escola recebeu 60 mensagens, sendo 37 relatos de microagressões, agressões verbais, bullying, racismo e assédio, além de 9 denúncias de agressões físicas – algumas indicando repetição e gravidade. "Os relatos mostraram que o problema ultrapassa episódios isolados e revela padrões estruturais de violência e silenciamento", destaca Cesar. O projeto foi selecionado entre 94 iniciativas de todo o estado e conquistou o 1º lugar na categoria Inovação Pedagógica e Metodologias Ativas. Agora, a EMEB Luiz Antoniazzi representa São Paulo na etapa nacional do prêmio.
Reconhecimento que inspira a rede
Ambos os projetos contaram com apoio institucional das direções e coordenações pedagógicas das escolas, que ofereceram suporte para o desenvolvimento das iniciativas. "Essas conquistas mostram a versatilidade e a dedicação dos nossos professores. Da zona rural à área urbana, da sustentabilidade ao combate às violências cotidianas, nossos educadores estão transformando desafios em oportunidades de aprendizado e cidadania. É motivo de muito orgulho para toda a rede municipal", celebrou o secretário André Amaral.
O projeto do professor Cesar, que foi vencedor na fase estadual, agora segue para a fase nacional, levando o nome de Valinhos como referência em inovação pedagógica na educação pública.









